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	<title>gilberto mariotti</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Sep 2018 16:29:20 +0000</pubDate>

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		<pubDate>Sun, 14 Jul 2019 17:34:44 +0000</pubDate>

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		<pubDate>Tue, 17 Sep 2019 19:38:35 +0000</pubDate>

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		<title>Lacuna</title>
				
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		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 14:40:29 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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projeto para o espaço comum interno do centro cultural universitario tlatelolco, para concurso internacional por convite intervención tlatelolco 68-18, curadoria para proposição de vinicius spricigo.



Lacuna pretende possibilitar, por meio da materialidade de uma construção arquitetônica, uma experiência da dimensão simbólica da falta, da sobreposição de diferentes temporalidades históricas e, sem prejuízo a isto, da potência de transformação política ligada ao deslocamento espacial. 


Objetivamente, trata-se de um corte geometricamente desenhado em forma de L no chão do pátio reservado à intervenção. Dentro desta abertura, uma escada que desce ao plano do pavimento inferior, para novamente subir ao pátio.


Ao mesmo tempo em que esta escada oferece ao participante a possibilidade de deslocamento entre níveis, em um trajeto de descida e subida, também funciona como um sistema de escoamento de água para o pátio. Cada degrau é ao mesmo tempo apoio e ralo, que faz desaguar a água em uma caixa de recepção abaixo do piso.


O trajeto possível para o corpo que interage com o monumento é o de uma descida até este piso/ralo, o plano mais baixo que recebe o fluxo de água e de pessoas, seguido de uma subida equivalente, que o joga novamente à realidade que se apresenta no espaço público comum, como numa incursão arqueológica que promete uma visão do passado, mas que nos entrega mais acordados para o lugar que ocupamos. 


Deste modo, Lacuna nos possibilita a tomada de uma postura reflexiva quanto às próprias possibilidades de representação do desaparecimento, na medida em que não pretende tornar visível o que já não se encontra presente, mas sim propor ao participante que, por meio de um limitado mas significativo deslocamento no tempo e no espaço, construa uma percepção de seu próprio lugar em dinâmicas políticas (aqui representadas mais diretamente pelo espaço comum) e temporalidades históricas em que eventos como o massacre dos estudantes em Tlatelolco ocorrem. 


Para tanto alguns materiais e métodos ou procedimentos se fazem sentir tanto no que carregam de simbólico, quanto em como no plano da funcionalidade arquitetônica: de cada lado da escada que corta o chão, uma mureta em ângulo protege os passantes no plano do pátio da queda no vão aberto,&#38;nbsp; ao mesmo tempo em que cria a sensação visual de continuidade&#38;nbsp; entre os lados, sendo revestidas as muretas e as paredes internas da escada pela mesma lajota que recobre todo o piso do pátio. 


O projeto Lacuna também propõe, em diálogo com a construção da intervenção arquitetônica propriamente dita, o desenvolvimento de um plano de comunicação e design para o entorno do Centro Universitário e outros pontos da cidade do México que se utilize de estratégias representativas do embate visual e gráfico ocorrido entre o projeto de comunicação e design para as Olimpíadas&#38;nbsp; de 1968 comissionado pelo Estado e suas apropriações feitas pelo movimento estudantil, retomando a importância dos cartazes e referências visuais surgidas naquele momento. 


Lacuna se dirige diretamente ao acontecimento específico do massacre dos estudantes ocorrido em 1968 na praça de Tlatelolco, articulando características deste evento bem referenciadas nos materiais e fontes históricas disponíveis, fotografias, relatos, vídeos, e textos. Ainda que seja assim, realizar uma simples busca pelo evento em sites de pesquisa comuns pode nos levar a um caminho em que se passa por diversos lugares de características singulares, mas que reconhecemos como familiares, próximos e de uma cultura comum. Há de mais prontamente reconhecível uma variação de escala, feita de números que variam, entre eventos da mesma natureza, em que procedimentos se repetem. Ler e ver o material produzido sobre estes eventos se assemelha a uma escavação permanente. A memória é espaço construído coletivamente. Todo este material histórico parece se opor, visualmente falando, a uma estética modernista que atua de forma articulada para a construção de uma nova leitura da cultura Mexicana pelos visitantes estrangeiros: o discurso arquitetônico e o design que se impõe como nova marca identitária comissionada pelo poder vigente. Hoje esta estética aponta para um passado de realização, mas em contraste com a marca da violência que é pressuposta à realização dos ideias de progresso. Deste modo parece lógico que retomemos este apontamento de intenções para um futuro perdido, hoje representante de um passado que suscita a nostalgia deste tempo promissor. A ideia de progresso demanda a obliteração de conflitos internos característicos de qualquer organização social e o projeto de comunicação para as Olimpíadas, assim como o design produzido para e a partir do evento assumiu a tarefa de dar visualidade a esta ideia. Daí a proposta de aliar a intervenção arquitetônica propriamente dita a um plano de comunicação que dê visibilidade ao conflito entre o plano oficial e suas resistências, e às contradições entre interesses e movimentos que estão no cerne dos acontecimentos históricos. Ou seja, pensar o espaço físico do Centro Universitário, e de seu entorno como um ponto de inflexão deste complexo de conflitos e lutas, fazendo-o dialogar com um plano de ações diretas nas mídias usadas pela comunicação oficial, abrindo brecha neste sistema para o contra discurso dos estudantes e população organizada politicamente. 


Simbolicamente, adentrar a terra, o chão, está associado a retornar ao passado, ter acesso a o que foi enterrado, escondido, transpassar o limite entre o mundo dos vivos e dos mortos. A forma desta escada/dreno também remete à do altar de sacrifícios, e o escoar das águas aponta para a passagem permanente do tempo histórico, mas peculiarmente para a síntese destas temporalidades. A promessa, no entanto, das formas místicas, é a de transposição entre mundos, do ir além, de ultrapassar a linha que nos limita fisicamente. O movimento desta escada específica nos leva de volta a este mesmo presente que contém a todas as variáveis, a um tempo não linear, feito de todas as repetições, ao plano do real político que articula todas as possibilidades.


A ocupação do espaço do pátio do CCUT`s para o qual se propõe a intervenção é formado pelo vazio entre volumes de construções e o projeto faz referencia à posição ocupada pela massa de estudantes quando do massacre. O L desenhado pela escada que corta o chão do pátio nesta proposição remete justamente ao trajeto dos projeteis disparados em fogo cruzado, mas a forma em L também se presta de modo muito eficiente ao deslocamento do corpo do participante:&#38;nbsp; perfazer o trajeto em L significa para quem desce ou sobe não ter acesso visual ao movimento subseqüente, e deste modo não antever o momento seguinte. É preciso seguir até o fundo da composição para então encontrar o caminho de volta. Algo mais forte quando percebido ou vivido, do que quando se relata.
desenhos técnicos: victor pissaia.






































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		<title>Interventor [Cartaz]</title>
				
		<link>https://gilbertomariotti.com/Interventor-Cartaz</link>

		<pubDate>Sun, 23 Sep 2018 16:28:27 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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Projetos2014Interventor [cartaz]


cartaz parte integrante do projeto interventor.


desenhos técnicos e projeto gráfico: Deborah Salles





&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; 

	
&#60;img width="2000" height="2832" width_o="2000" height_o="2832" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/67e3be5277c0ce8be6a2c642b80f74a60bfb85c384f245ad1439098f5d1205b4/A1.png" data-mid="27711173" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/67e3be5277c0ce8be6a2c642b80f74a60bfb85c384f245ad1439098f5d1205b4/A1.png" /&#62;
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		<title> interventor [Projeto]</title>
				
		<link>https://gilbertomariotti.com/interventor-Projeto</link>

		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 18:13:50 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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Projetos2014Interventor [Projeto]&#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; &#38;nbsp; 

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intervenção realizada no beco do pinto, museu da cidade



Como que contradizendo a lógica imposta
pelos conjuntos arquitetônicos que formam a avenida paulista, o MASP ainda
resiste, em alguma medida, como proponente de uma relação não excludente com os
espaço da cidade. O vão livre, funcionando em diálogo com o corpo suspenso, é
um de nossos vazios físicos mais carregados de significado político: uma praça
pública prensada entre monolitos padronizados erguidos em homenagem à sua própria
inacessibilidade. Como bem define Marcelo Ferraz, “A conquista do ‘nada’, como
dizia Lina, ou o desejo de liberdade. Lina sempre se referia ao comentário do
compositor John Cage quando viu pela primeira vez o MASP: ‘É a arquitetura da
liberdade!’”.



E resiste apesar dos arremedos impostos ao
projeto, e que visam seu isolamento quanto ao entorno urbano. A pressão para
cercar de vez a área do Museu atenta para que contraditoriamente evite sua
razão primeira e abra mão de sua especificidade enquanto proposição
arquitetônica. O projeto de Lina Bo Bardi é a materialização de uma solução de
compromisso entre acervo de arte e seu público. Público este que só pode tomar
seu lugar na medida em que puder viver a inteligência do projeto. 



Uma escada que deságua diretamente no
interior do museu, em um saguão articulador de seu programa, capturava antes o
passante, quer este o reconhecesse ou não como patrimônio fundamental da
cidade, quer se interessasse de antemão ou não por seu conteúdo. Novamente na
descrição de Ferraz, “ao descermos ao subsolo, como em uma estação de metrô, em
vez da escuridão, da falta de ar, encontramos a luz, cristalina, filtrada pelo
verde das floreiras, e a vista livre sobre o vale. Isso se deve à inteligente e
bem acertada implantação do edifício na paisagem”. Hoje a escada está fechada
para evitar o passante, que deve ladear um biombo de vidro temperado até a
bilheteria, o detector de metais e o guarda volumes, tudo o que antes se
acomodava já dentro do edifício, a salvo de vento e chuva, o que colocava para
o visitante a obrigação de estar em um espaço cultural e dar lhe o devido
respeito.



Novamente Ferraz: “se subimos do nível da
avenida Paulista, do enorme vão livre, para a caixa suspensa, encontramos ainda
aí, e com força total, a vontade de liberdade: um grande ‘oceano de pinturas’.
Os quadros se libertam das paredes e flutuam em cavaletes de concreto e vidro
utilizados como suporte/expositor”. É preciso que voltemos a olhar para a foto
do espaço expositivo em que obras pairavam suspensas em conversa constante,
projeto que pôde propor uma solução de leveza possível ao enigma anunciado em outra
foto, a de um Malraux que observa um mundo de imagens descoladas da fisicalidade
já não mais garantida pela experiência do museu tradicional em crise. 



Encontrar no lugar desta solução o conjunto
atual de paredes cenográficas que poderiam estar em qualquer lugar (e que
portanto não o defendem) é se deparar com uma situação em que, por falta de
memória, só nos restou o espaço abstrato proporcionado pela expografia de
eventos mais do que temporários. O lugar de experiência proposto pelo projeto
de Lina, em que arte, vida e arquitetura se encontravam, foi deposto em favor
de uma forma requentada da experiência do museu fechado, sem respiro, sem fala.



Por que por falta de memória? Por que se esquece
a razão e a vocação que dá significado a um espaço público: a troca de saberes
entre os agentes. Por que se esquece de soluções que mantinham o problema aberto
em respeito às contradições características de diálogos francos, em oposição a uma
resposta final que garanta uma mediocridade funcionária.



Não se trata de uma defesa do passado
contra demandas atuais. Trata-se de entender que o projeto do Masp é ainda
revolucionário, ou ainda mais revolucionário hoje do que em sua inauguração.
Mesmo aceitando o argumento de que o museu, enquanto instituição conservadora,
deveria aprender a esquecer, é sintomático de nossa cultura de ideias fora de
lugar que tenhamos esquecido justamente nosso momento mais pungente em termos
de projeto expositivo. 



Como numa operação de contradição de formas
que em tensão assumem outros significados imprevistos, a forma de uma peça de
interdição de estabelecimentos usada pela prefeitura ganha o princípio de
funcionamento do suporte expositivo de Lina. O vidro necessário para sustentação
das obras, aqui será o vidro que hoje é usado como cerca. A cunha de madeira
que serve de calço permanece, dando apoio ao vidro que corta o concreto. Ambos se
emprestarão elementos mutuamente, potencializando o estranhamento de suas
formas. Em tensão clara, a interdição e passagem, o olhar que atravessa e o
corpo que interdita. 
gilberto mariotti



 



 









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		<title>Mar [Fragata]</title>
				
		<link>https://gilbertomariotti.com/Mar-Fragata</link>

		<pubDate>Sun, 02 Jun 2019 17:44:31 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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Projetos2010Mar [Fragata]





	
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Fragata é uma exposição individual ocorrida
no MAC Niterói com curadoria de Guilherme Bueno, com Fragata (uma série de
desenhos em papel carbono em que figuravam navios da frota marinha brasileira),
a instalação Previsão (vídeo em monitor de segurança) e o livro de artista Mar.
Horizonte à deriva

Fragata reúne desenhos feitos com e a partir de folhas de carbono, um livro-objeto e um vídeo. Vistos lado a lado, poderíamos considera-los paisagem; imagem e espaço continuamente se mesclam, manifestando-se por desconcertos: é a escolha de uma paisagem enviesada (os navios encalhados, quebrando qualquer encanto), a imagem que só existe como reprodução (visto que até o desenho original nasce em papel feito para cópia), o ritmo da exposição, que, como as ondas, vaga entre partes mais densas e outras na qual o vazio prevalecente parece espelhar um afastamento rumo ao horizonte.
Ali o vazio é apropriado como espaço e tempo, fazendo-o tornar-se narrativa: a travessia do olho percorrendo os “acidentes” da imagem (traços diversos deixados pelo autor; o desenho é marco e vestígio) e os “abismos” entre um trabalho e outro ao longo da galeria invocam no espectador a ansiedade por encontrar um ponto de olhar seguro. Imagem à vista...
Há, assim, uma lógica mais do que imagética, fotográfica nestes trabalhos, por conta de sua “temporalidade”, que defronta a paisagem “real” e aquela outra ali mostrada (que anda tem de registro, pois não nasceu de nenhum contato direto, tendo sido, ao contrário, montada desde o início por simulacros, reproduções para lá de codificadas). Mas também, naquilo que se calcula uma proposital neutralidade expressiva, invertendo o desejo de toda a imagem de ser marcante. Ora avançando, ora recuando, sobrepondo-se, “afundando” ou dissolvendo-se nas brumas do papel, alguns desenhos, progressivamente, por vezes não nítidos, em outras quase invisíveis. Captura de metáforas à deriva, daquilo que é só há um tempo e imperceptivelmente presença e desaparição. Ao abolir qualquer chance de drama, ela é uma imagem apesar de si mesma. E a folha de papel, o imenso oceano que tudo engole.


















Horizon adrify



 Fragata gathers drawings made with, and inspired by,
sheets of carbono paper, na object-book and a vídeo. Seen side by side, we
could regard them as landscape, image and space in a continuous blend, being represented
by disorder: the choice of a zigzagging landscape (or grounded ships, breaking
any kind of charm), the image that only exists as reproduction (seeing as even
the original drawing stems from paper made for copying), the rhythm of the
exhibition, that, like the waves, rises in the more dense parts and falls where
the prevailing emptiness seems to reflect a shift away toward the horizon.



 There the emptiness is appropriated as space and time,
making it become the narrative: the eye crosses over the “accidents” of the
image (diferente traces left by the authir; the drawing is the mark and the
remains) and the “abysms” between one work and another throughout the gallery invoque
the viewer na anxiety to find a safe viewpoint. Imagine ahoy...



 These pieces, therefore, are of a more logical than imagetic
or photographic nature, due to their “temporality”, which confronts the “real”
landscape and the other one portrayed therein (that has nothing recorded, as it
was not born of direct contact, on the contrary, it was assembled from the outset
by simulacros, highly encoded reproductions). But also in that which is
determined intentional expressive neutrality, inverting the desire of every image
toe b striking. Now coming in, now going out, overlapping, “sinking” or dissolving
in the misto f the paper, as they progress some drawings are sometimessharp,
others almost invisible. The capture of metaphors floating adrift, from that
which exists at once with a blured imperception of its rpesence and
disappearance. Abolishing any chance of drama, it is an image despite itself.
And the sheet of paper, the immense ocean that swallows all.








Guilherme Bueno
_
fotos: vicente mello.



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	</item>
		
		
	<item>
		<title>Mar [Livro]</title>
				
		<link>https://gilbertomariotti.com/Mar-Livro</link>

		<pubDate>Sun, 23 Sep 2018 16:28:30 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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	Projetos
	2010
	Mar [Livro]


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caderno–desenho parte da exposição individual 'fragata' de curadoria de guilherme bueno no mac–niterói




livro água



A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
Fugir! Fugir! [...] Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos,
Impede o coração de submergir no mar
Ó noites! nem a luz deserta a iluminar
Este papel vazio com seu branco anseio [...]
Vapor a balouçar nas vagas,
Ergue a âncora em prol das mais estranhas plagas!

Mallarmé, Brisa Marinha¹




Estaria o mar contido no livro? Ou o inverso? E, de fato, um pode conter, reter o outro? Talvez, apenas na medida em que ambos se reconheçam maleáveis o suficiente para moldarem suas formas. Ainda assim um como o outro, afigura-se infinito com seu ir e vir de páginas ou vagas.

É bem verdade que este introito não faz jus ao trabalho de Gilberto Mariotti, ao arriscar um paralelismo reducionista daquilo que seu livro é. A rigor, o problema maior consiste em averiguar como uma coisa pode se tornar visualmente viável, ou seja, o que é traduzir um objeto em forma atento aos confins desta última. No correr de suas páginas, nas quais a imagem da crispação cresce e depois some, constrói-se o livro necessariamente impossível. Usar tal expressão para descrevê-lo não pretende recair nem na mitologia da obra absoluta em sua ambição, nem no seu oposto (igualmente mitificado) da “estética do possível” que converteu-se em um chavão na virada de século., mas assinalar que todo trabalho artístico envolve uma parcela consciente e positiva de absurdo lúcido, ao conquistar para o terreno da visibilidade aquilo que, mesmo perceptível (ou não, se quisermos conferir uma dimensão metafísica à arte) resiste a ser “formalizável”. 

Por livro impossível, queremos entender dois movimentos simultâneos ali presentes: um primeiro, como enunciamos acima, o de resolver a imagem de algo que aparentemente se insinuaria arredio a um sistema visual. Em outras palavras, o mar é tão incomensurável quanto o céu. Mariotti tentaria em relação ao primeiro uma manobra análoga àquela a que os pintores renascentistas recorreram com a invenção da perspectiva aérea, simulando uma dimensão limitada do infinito, fazendo-o assim caber no quadro. Em seu caso, diríamos que isso se traduz em uma primeira decisão – o mar se converte em imagem. Aqui, o fato dele ter um vestígio representacional é quase uma “circunstância”, pois sua silhueta é sobretudo decorrente de dois aspectos estruturais: um é o “desenho indicial”(ao qual retornaremos logo adiante); o outro , a “extensão circular” do livro, cuja página inicial e final se intercambiam, conforme o leitor / espectador decida por onde começará a folheá-lo. 

Determinar a equivalência entre o mar e a dinâmica das imagens implica lidar com escalas que senão incoercíveis (se, considerando a situação contemporânea da imagem, ela alcançar um patamar quantitativo próximo do incalculável), tenderiam a ser inconformáveis, dada sua fluidez ou progressão crescente. Uma imagem, como um copo d’água é sempre um aprisionamento fugaz daquilo que escorre, que escapa e nos faz lembrar da passagem do tempo (o mar é eterno, não começa nem termina, não se recolhe no fim da tarde; nós, objetos retratáveis, somos perecíveis). Assim, há na equação entre mar e imagem uma outra traduzível como forma x imagem, permanência e perda, na medida em que se perfaz a tarefa de fixar visualmente algo cuja natureza é uma recusa a estática. Considerado sob esse aspecto, os desenhos indiciais, gerados a partir de cópias feitas à carbono são decisivos na consecução desse método de formalização, uma vez que, ao fazerem coincidir desenho e geração imediata de imagens, paradoxalmente registram em seu caráter residual a referida fugacidade do tempo e da forma (a imagem se enuncia como resíduo de algo; aqui deste desenho original “perdido”, do qual só resta sua cópia siamesa). Que o livro se narre por um crescendo dado pela sucessão ondulante de cada folha, não só espelha a lógica segundo a qual o livro de Mariotti constitui sua narrativa neste imbricar entre método e sua materialização formal, mas faz-nos lembrar o nexo entre uma consciência temporal e espacial acentuada pela poesia desde os emblemáticos Coup de dés, de Mallarmé e dos caligramas de Apollinaire., que nos reinventaram como leitores visuais, leitores espectadores. Seria seu trabalho um livro-caligrama? Esta resposta caberá ao leitor, após reter em suas mãos estas águas de papel. 


¹



Tradução de Augusto de Campos



Guilherme Bueno




 












 































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		<title>Mar [Previsão]</title>
				
		<link>https://gilbertomariotti.com/Mar-Previsao</link>

		<pubDate>Sun, 23 Sep 2018 16:28:33 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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Projetos&#38;nbsp; &#38;nbsp; 2010Mar [Previsão]
Instalação parte da exposição Fragata: monitor de segurança, vídeo em looping (registro de tempestade em alto mar).

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	&#60;img width="3648" height="2736" width_o="3648" height_o="2736" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/9e3432a094cb67f4c63ed447622c9c1b58958520047d022e7aca566bd1164b7f/previsao-Mac-Niteroi-3.jpg" data-mid="24736336" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/9e3432a094cb67f4c63ed447622c9c1b58958520047d022e7aca566bd1164b7f/previsao-Mac-Niteroi-3.jpg" /&#62;&#60;img width="3648" height="2736" width_o="3648" height_o="2736" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/f1fe7ae7d302417844254a05e053ca415bb14764e7c31dc1784d87aff644c0cb/previsao-Mac-Niteroi-13.jpg" data-mid="24736337" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/f1fe7ae7d302417844254a05e053ca415bb14764e7c31dc1784d87aff644c0cb/previsao-Mac-Niteroi-13.jpg" /&#62;&#60;img width="3648" height="2736" width_o="3648" height_o="2736" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/bdd62f8bfd4df7443cf88ada0cdcec6ef8f6be6bf0fb3c44403fe538cbdef535/previsao-Mac-Niteroi-14.jpg" data-mid="24736338" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/bdd62f8bfd4df7443cf88ada0cdcec6ef8f6be6bf0fb3c44403fe538cbdef535/previsao-Mac-Niteroi-14.jpg" /&#62;



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		<title>Panorama [Lareira e Janela] </title>
				
		<link>https://gilbertomariotti.com/Panorama-Lareira-e-Janela</link>

		<pubDate>Sun, 04 Nov 2018 15:03:27 +0000</pubDate>

		<dc:creator>gilberto mariotti</dc:creator>

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Projetos2001Panorama [Lareira e Janela]
&#38;nbsp;
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&#60;img width="1236" height="889" width_o="1236" height_o="889" data-src="https://freight.cargo.site/t/original/i/6cc4a637ec35a9a6fbd2c6fa56e14db204d0f04317e6725163a2eaec712eebf7/panorama-5.jpeg" data-mid="88209125" border="0"  src="https://freight.cargo.site/w/1000/i/6cc4a637ec35a9a6fbd2c6fa56e14db204d0f04317e6725163a2eaec712eebf7/panorama-5.jpeg" /&#62;
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Pinturas parte da exposição 'Panorama da Arte Brasileira' de curadoria de Ricardo Rezende, Paulo Reis e Ricardo Basbaum no MAM-SP. Mar (carbono sobre tela, 1,6x2,2m), Janela e Lareira (acrílico sobre tela, 2,2x1,6m)





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