Curadorias

2008

cafezinho







Curadoria para o trabalho “cafezinho” de erika verzutti na exposição coletiva “passagens secretas” no centro cultural são paulo

“Não duvido de que seja uma questão de classe. Quer dizer, achar que todo o gosto mais senso-comum, mais caseiro, mais artesanato...não, nem isso: mais utensílio de cozinha mesmo, louca com friso azulzinho, berinjela na fruteira com bordadinho em cima, pano de prato pintado, enfim, que tudo isso seja inferior a esses textos auto-colantes, a uma parede bem plana, a uma linha de objetos pendurados lado a lado, a um livrinho branco e preto com umas fotos gastas e um texto noviiiiiiiinho, a umas faixas amarelas no chão de cimento cinza, enfim, esse outro gosto, esse gostinho que dá quando se entende algo assim rapidinho, sem ter que ler muito, só olhando umas figurinhas, essa sensação de inteligência que parece um barato de café depois do bolo, essa sinapsizinha que faz bzzzzz e depois vai embora. Isso cria gosto também, né? Então esse cafezinho tirado, esse exxxperesssoouu, esse maquiatto aí, achar que ele é melhor que aquele café de bule, coado é coisa...bem...é uma questão de classe” [...] “E onde é que a gente tem que se encontrar para saber dessas coisas sem dizer nada? É em volta da garrafa térmica do café de intuistição (sic). O cafe de intuistição (sic)  é de uma obrigatoriedade completamente democrática, entendeu? Todo mundo tem que tomar aquele mesmo café para não dormir em cima do teclado ou com a cara apoiada no cabo de vassoura. O cafezinho de intuistição (sic) é que é a nossa esfera pública!”

D.S. 1987